sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Funcionários do Hospital devem começar a receber na segunda-feira

A instituição previa começar a pagar hoje (6) a folha dezembro de 2014. Erro de redação no Projeto de Lei que transfere os recursos pode ter acarretado o atraso

Vereadores se reuniram em sessão extraordinária para alterar Projeto de Lei que destina verba para o Hospital Foto: ASCOM/Câmara de Vereadores de Osório
 Lorenço Oliveira

OSÓRIO – Os funcionários do Hospital Beneficente São Vicente de Paulo devem começar a receber na segunda-feira (9) os salários referentes a dezembro de 2014. A informação vem da Prefeitura Municipal, que passará o cheque de R$ 500 mil para o presidente da instituição Francisco Moro, que irá depositá-lo nesta manhã (6). O Projeto de Lei do Executivo que destinava os recursos foi votado na segunda-feira (2), mas sofreu alterações na manhã de ontem (5).

Em sessão extraordinária no gabinete da presidência da Câmara de Vereadores, foi corrigido um erro no Projeto de Lei Nº 011/2015, votado na segunda-feira (2). “Houve um erro na rubrica do projeto, que não veio com a dotação orçamentária correta. Então, realizamos a alteração nesta manhã [quinta-feira, 5] em sessão extraordinária”, confirmou o Presidente da Câmara, o vereador Gilmar Luz (PDT).

“É lamentável! A prefeitura erra na redação do projeto, utilizando a dotação orçamentária do ano passado. É o legítimo “Ctrl+C e Ctrl+V” [atalho no teclado de copia e cola]”, criticou o deputado estadual Gabriel Souza (PMDB), que foi um dos articuladores, junto com o deputado federal Alceu Moreira (PMDB), dentro do governo estadual para conseguir a verba para o hospital. “Olha o movimento que o Estado fez despendendo um milhão de reais de forma emergencial para saúde e eles [prefeitura] ainda atrasam mais uma semana”, arrematou Souza.

Através da Assessoria de Imprensa, a prefeitura explicou que foi informada a dotação orçamentária de 2014, ao invés da de 2015, o que gerou a alteração no projeto. O Executivo disse ainda que não havia intenção de atrasar mais o pagamento dos salários, mas admitiu que houve um erro de redação.

A expectativa do Sindisaúde-RS, que representa a classe no Estado, era de que os pagamentos começassem hoje. A entidade ainda prevê que a segunda parcela (de R$ 500 mil) do socorro emergencial seja depositada pelo Estado na conta da Prefeitura nesta sexta-feira (6). Esta parcela servirá para pagar a folha de janeiro.

*Matéria publicada originalmente em jornal Momento do dia 6 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Pagamento de diárias de Policiais Rodoviários Estaduais estão atrasadas desde 1º de janeiro

Carlos Augusto e Lorenço Oliveira

LN – Os Policiais Rodoviários Estaduais que participam da Operação Verão 2015 no Litoral Norte estão com as diárias atrasadas desde 1º de janeiro. Dois policiais, que preferem não se identificar, informaram ao jornal e rádio Momento que a equipe convocada para trabalhar na temporada está tendo que arcar com os custos do próprio bolso.

De acordo com os policiais, há um “descontentamento geral” dos patrulheiros em razão da falta de motivos para o não pagamento. “Estamos tendo que pagar para trabalhar! E não há previsão de quando o Estado irá pagar as diárias”, reclamou um deles.

Para atender a demanda do veraneio, foram convocados 190 agentes rodoviários para a chamada Operação Verão, que começou no dia 20 de dezembro. Os policiais, de diversas regiões do estado, recebem R$ 123 por dia para quitar despesas.

Questionado sobre a possibilidade de parar as atividades, o policial disse que não existe movimentação clara para paralisações, mas fez um alerta: “Se não houver pagamento, muitos vão arrumar suas coisas e ir embora para sua cidade, por que não há condições de continuar”.

O Comandante do 3º Batalhão Rodoviário, que coordena a Operação Verão, Major Ulisses Denardi, não se manifestou sobre o caso até o fechamento desta edição, pois estava em reunião em Porto Alegre.

*Matéria publicada no jornal Momento do dia 30 de janeiro de 2015

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Estado deve liberar R$ 1 milhão para pagar salários no hospital de Osório

Funcionários do Hospital de Osório ainda não receberam pagamento de dezembro. Promessa do Estado é pagar a partir da semana que vem. Sindicato não descarta greve

Funcionária trabalha durante vistoria dos bombeiros em 19 de dezembro, mês cujo salário está atrasado Foto: Lorenço Oliveira/Arquivo Momento

Lorenço Oliveira

OSÓRIO – Os salários referentes ao mês de dezembro dos funcionários do Hospital São Vicente de Paulo deverão ser pagos até semana que vem. Os pagamentos foram prometidos pelo Secretário Estadual da Saúde João Gabbardo dos Reis através de um socorro extraordinário de R$ 1 milhão de reais. A informação foi confirmada ontem pelo Presidente da instituição Francisco Moro. Apesar disso, o Sindisaúde-RS não descarta a possibilidade de greve.

Em entrevista ao programa Comunidade Ativa, na rádio comunitária Momento FM (98.1), Moro explicou que o Hospital está com grandes dívidas. “Eu pedi R$ 3.052.553,70 [ao secretário]”, pontuou o Presidente. “Estou com muitas contas para pagar. Há muitos fornecedores atrasados que eu pedi compreensão. Felizmente, todos estão compreendendo a situação”.

O Sindisaúde-RS, sindicato que representa os profissionais do Hospital, fizeram pressão na semana passada, lançando uma possível greve. Moro disse que pediu ajuda ao Deputado Federal, Alceu Moreira (PMDB). “Ontem [terça, 20] eu recebi a ligação do Alceu dizendo que tinha conseguido marcar uma audiência com o secretário às 16h30”, relembra. “Então, eu estava com o telefone na mão para ligar para o sindicato [Sindisaúde-RS], quando me deparei com três integrantes da classe na minha frente lá no hospital. Então, expliquei a eles o que iria acontecer”.

João Gabbardo dos Reis prometeu a Francisco Moro que “a primeira coisa a ser feita na manhã desta quarta-feira”, seria encaminhar um pedido de socorro para a comissão do Estado que está tratando de questões emergenciais. “E o secretário entendeu que a questão do hospital de Osório é emergencial”, disse Moro, que pediu socorro para quitar também os vencimentos de janeiro. Segundo o Presidente, os salários deste mês [janeiro] devem chegar nos primeiros dias de fevereiro, podendo atrasar, no máximo, uma semana.

Durante a reabertura do Hospital, no dia 24 de dezembro, a então Secretária Estadual da Saúde Sandra Fagundes havia assinado o contrato entre o Estado e a instituição. Moro revelou que o contrato levou ainda 15 dias para ser oficializado. “Sabe quando saiu no Diário Oficial do Estado? Em 7 de janeiro”, exclamou Moro, com a cópia da publicação nas mãos que oficializa o contrato de R$ 1,95 milhão. “É assim que a coisa pública funciona”, alfinetou.

Ex-Secretária Estadual da Saúde, Sandra Fagundes, e Presidente Francisco Moro durante cerimônia de reabertura do Hospital em dezembro Foto: Lorenço Oliveira/Arquivo Momento

Segundo a assessoria de imprensa do Sindisaúde-RS, o Presidente do sindicato Arlindo Ritter recebeu a informação de que, no próximo dia 26 de janeiro, a Prefeitura de Osório receberá do Estado R$ 500 mil para repassar ao Hospital. O valor será utilizado para o pagamento dos atrasados de dezembro. E que no dia 6 de fevereiro, outros R$ 500 mil devem chegar ao município para o pagamento dos salários referentes a janeiro. O Sindisaúde-RS declarou, no entanto, que “os profissionais estão no limite” e que caso não sejam efetivados os pagamentos, “haverá indicativo de greve” em Osório.

Blocos cirúrgicos e obstétricos reabrirão na segunda-feira

O Presidente do Hospital Francisco Moro adiantou que os três blocos cirúrgicos e o bloco obstétrico serão reabertos na próxima segunda-feira (26). “Ontem [terça, 20] eu recebi da Vigilância Sanitária do Estado o alvará para reabrir os blocos”, confirmou Moro, que está, agora, “correndo atrás de médicos” para trabalhar nos setores.

Emergência do Hospital devem voltar a funcionar até fim de março

Ainda em entrevista, Francisco Moro não quis colocar uma data para a reabertura da urgência e emergência do Hospital. “As obras estão na reta final, está para ser concluída”, garantiu. Moro espera que até fim de março o setor esteja funcionando.

O Presidente explicou também que a ala pediátrica, que passou por reforma, está finalizada, mas não pode funcionar pela falta de energia elétrica. “O atual gerador não comporta todo o prédio, por isso está sendo instalado um mais moderno, que deverá suprir mais 2/3 do hospital”, disse.

A Prefeitura de Osório investiu cerca de R$ 300 mil para ampliar e proteger a rede elétrica, interligando a subestação de energia aos prédios e blocos do Hospital. A empresa vencedora da licitação terá 90 dias para finalizar o serviço, que vai possibilitar a reabertura total da instituição. Por enquanto, a orientação segue sendo encaminhar urgências ao Posto Central de Saúde Dr. Flávio Silveira (Rua Garibaldi, 255 – Centro).

*Matéria publicada originalmente na capa do dia 22 de janeiro do jornal Momento.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

#MECA: Cena indie londrina invade Litoral Norte

Em sua quinta edição, MECAFestival volta a Fazenda Pontal e contagia cerca de 5 mil pessoas com grupos ingleses e nacionais no último sábado (17), em Maquiné

Iluminação do La Roux tirou o rosto de Elly de evidência
Texto e fotos | Lorenço Oliveira

MAQUINÉ – Uma experiência musical única no Litoral Norte. “O maior menor festival de música do mundo”, como os organizadores do MECAFestival se intitulam, tornou-se a relíquia entre os grandes eventos que ocorrem na região. Não há nada parecido, pois não há governo que faça algo tão bem pensado e organizado. É claro que nem tudo são rosas. Mas no MECA, muitas foram as rosas neste último sábado (17) e podem servir como belos exemplos para eventos futuros.

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Primeira rosa: o local: Hotel Fazenda Pontal, localizado no km 2,5 da ERS-407, trecho que liga o distrito de Morro Alto a Xangri-Lá. Apesar da falta de sinalização aos visitantes, o acesso foi fácil e não apresentou grandes problemas. Muitas pessoas reclamaram que, por o evento ser de bebida liberada (open bar de cerveja), o deslocamento seria difícil. Não foi o que aconteceu. A grande maioria dos jovens decidiu utilizar transporte coletivo: táxis, vans, micro-ônibus e ônibus. Os preços variaram de R$ 20 a 70. Alguns fizeram bate e volta Porto Alegre-Maquiné.



É claro que teve aquele que não quis depender disso e foi com seu próprio veículo. Para a surpresa destes: blitz policial. A Policia Rodoviária e a “Balada Segura” estavam na boca da saída, que aconteceu por volta de 2h da madrugada. No entanto, algo que não é novidade se repetiu: flanelinhas cobravam a partir de R$ 100 para dirigir pelos donos dos carros, a fim de passar pelas barreiras.

Segunda rosa: artistas de alta qualidade. O prodígio Erick Endres abriu os trabalhos no palco às 17h. O filho do guitarrista da banda gaúcha Comunidade Nin-JitSu, Fredi Endres, arrepiou quem não esperava por um rock puro e de altíssimo nível. O som de Erick, que está para completar 18 anos, é basicamente autoral, mas seu show no MECA ainda contou com um cover de John Frusciante, um de seus ídolos junto com Jimi Hendrix e Jack White.

Em razão do trio inglês Years&Years estar finalizando um álbum em Londres, duas bandas nacionais entraram no lugar. E não deixaram a desejar. O Mahmundi e o Boogarins agitaram o público exigente do MECA.

Boogarins

Terceira rosa: a chuva. Antes da banda gaúcha Wannabe Jalva começar a tocar, algo esperado: uma forte chuva despencou na Fazenda Pontal. Apesar das poças e do barro que se formaram em algumas partes, a precipitação não foi um inconveniente. Se o MECA já tinha como lema “celebrating love through music” (em inglês: celebrando amor através da música), cai bem a definição de “Woodstock” para o clima que se consagrou naquele momento. Alguns receberam a chuva com uma grande ovação, sem se preocupar com os calçados, e dançaram loucamente próximo dos clubinhos, ontem centenas se aglomeravam para fugir de se molhar.

Wannabe Jalva
Quarta rosa: os clubinhos. Os locais reservados aos parceiros do evento, como a Youcom, o Beco203 e o IHateFlash, foram tomados pelos visitantes durante os intervalos dos shows. Ali, DJs faziam festas paralelas, onde o pessoal descontraia ou tomando um sorvete, ou fazendo uma tatuagem, ou até cortando o cabelo. Uma coisa é certa: não faltou o que fazer dentro destes espaços.

Quinta rosa: gastronomia. Além de reunir todo o pessoal do skate, das artes plásticas e da música underground, o MECA proporcionou um diferencial destacado por muitos. A “praça” de alimentação consistiu em vários foodtrucks, moda que pegou neste verão no Litoral Norte. Pueblo, Jápesca e Destemperados foram algumas das comidas de rua do evento.

É óbvio que houve filas. Mas não chegou nem perto do que se vê em outros grandes festivais do país, como Lollapalooza. Nos veículos do Destemperados, foram consumidos cerca de mil “Pancho do Pepe”.

Sexta rosa: não faltou cerveja. O serviço de bebida liberada de cerveja (open bar) foi bom. Em certo momento, alguns bares chegaram a negar a bebida aos visitantes, mas por um motivo claro: não estava totalmente gelada. Assim, eles eram indicados a procurarem outros bares, onde havia cerveja em condições de consumo.

No quesito banheiros, talvez o MECA tenha deixado um pouco a desejar e muitas pessoas acabaram fazendo suas necessidades no mato. Exatamente. No escuro, entre as árvores.

Sétima, oitava e nona rosas: La Roux, AlunaGeorge e Citizens!. Foram os três shows internacionais e que atraíram a maior parte do público. Todos vieram de Londres e são quase desconhecidos pelo grande público. “Qual é a banda que você veio ver no MECA?”, perguntei para uma garota que estava longe do palco. “Não conheço nenhuma, vim mais pela vibe”. Essa foi uma das respostas que mais ouvi durante a festa. Mas antes que o leitor pense que isso seja ruim, a maioria dos jovens voltou para casa satisfeita.

Tom Burke (Citizens!) num dos melhores shows da noite
Pela segunda vez em Maquiné, os caras do Citizens! fizeram, talvez, um dos melhores shows da noite, apesar da maioria das músicas tocadas serem do disco inédito. O hit indie True Love foi a musica mais lembrada. Ao final, o vocalista Tom Burke se jogou na platéia, conquistando, assim, ainda mais a fidelidade do público.

Aluna Francis (AlunaGeorge) fez o público pular no MECA
Aluna Francis, a vocalista do dueto de música eletrônica AlunaGeorge, fez o público pular. You Know You Like It, de 2013, fez parte do set da dupla. Foi a primeira apresentação da dupla no Brasil.

Elly Jackson subiu ao palco próximo da 1h da madrugada e não desfez seu topete durante toda a apresentação. A vocalista do duo La Roux dançou e empolgou o público do início ao fim. Com uma iluminação contraluz, que desfavorecia o seu rosto, Jackson encantou os espectadores com uma dança elegante. Alguns desconfiaram que a cantora tivesse utilizado playback, o que não foi confirmado pela assessoria do MECA. No entanto, o hit Bulletproof foi cantado em coro pela platéia e encerrou o primeiro show de La Roux no Brasil.

La Roux encerrou seu show com Bulletproof

E o MECAFestival não terminou aqui. No domingo (18), os três headliners (La Roux, AlunaGeorge e Citizens!) ainda correram para a Estação Leopoldina, no bairro Santo Cristo no Rio de Janeiro (RJ), para mais apresentações. Na sexta (23), no Centro de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho (MG), ocorre uma edição especial do MECA, com AlunaGeorge e Citizens!. E no sábado (24), os três grupos de Londres fazem show no Campo de Marte, em São Paulo (SP).

*Reportagem publicada originalmente no dia 21 de janeiro de 2015 no jornal Momento.