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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Pedido de criação de estúdio musical público chega ao Poder Executivo

Jovens músicos de Osório vão a sessão da Câmara para saudar proposta de estúdio público. 
Foto: Lorenço Oliveira/Momento
Vereadores aprovaram na última sessão (30) um pedido de providência para que a prefeitura estude a possibilidade de criar um espaço que atenda artistas osorienses

Lorenço Oliveira

OSÓRIO – A Câmara de Vereadores aprovou nesta segunda-feira (30), em sessão ordinária, que o Poder Executivo estude a possibilidade de se instalar um estúdio musical público em Osório. A proposta do vereador Lucas Azevedo (PMDB) foi aceita com unanimidade. O Pedido de Providência vai para o gabinete do prefeito que irá estudar as formas de realizar ou não a instalação do estúdio.

O pedido de Azevedo tenta atender uma demanda de bandas e artistas osorienses que precisam de um impulso inicial para suas carreiras. Durante sua fala, o vereador explicou que Porto Alegre e Canoas possuem projetos semelhantes e que São Paulo já tem cinco estúdios públicos. Como contrapartida, os músicos beneficiados com a estrutura de gravação fariam shows gratuitos à comunidade.
 
Vereador Lucas Azevedo (PMDB) defendeu criação de espaço para gravação.
Foto: Lorenço Oliveira/Momento

O vereador ainda citou que poderia ser feito um financiamento através do Ministério da Cultura e que os deputados Alceu Moreira e Gabriel Souza (ambos do PMDB) poderiam ajudar a conseguir este investimento.

O vereador Valério dos Anjos (PDT) também endossou a proposta, ao dizer que seu filho é músico e que sabe das dificuldades de iniciar uma carreira.

Ao final do discurso de Azevedo, houve uma salva de palmas de jovens artistas presentes no plenário. O presidente da Câmara, o vereador Gilmar Luz (PDT), avisou em seguida que manifestações não são permitidas durante a sessão. Durante sua fala, Luz citou a possibilidade de que o possível estúdio possa ser instalado na casa de cultura de Osório.

Dono de estúdio protesta em rede social

O proprietário de um estúdio musical de Osório repudiou no Facebook a proposta do vereador Lucas Azevedo. Em postagem na rede social na última sexta-feira (27), João Paulo Comiotto escreveu, entre outras coisas, que a criação de um estúdio público não seria justo com os demais donos de estúdios, que estão há mais de 10 anos em Osório.

“[...] nesse caso você [Lucas Azevedo] vai tirar o ganha pão de músicos que estão precisando, eu tenho empresa registrada, não é fácil pagar os impostos necessários por mês, contador receita e tudo mais, ai vem você com esse projeto. me desculpa mas isso é tirar o pão da mesa de quem esta batalhando todos dias [...]” (sic), escreveu o dono do estúdio. A postagem teve 32 curtidas, três compartilhamentos e 32 comentários até às 18h desta terça-feira (31).

*Matéria publicada no jornal Momento do dia 1º de abril de 2015.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

#MECA: Cena indie londrina invade Litoral Norte

Em sua quinta edição, MECAFestival volta a Fazenda Pontal e contagia cerca de 5 mil pessoas com grupos ingleses e nacionais no último sábado (17), em Maquiné

Iluminação do La Roux tirou o rosto de Elly de evidência
Texto e fotos | Lorenço Oliveira

MAQUINÉ – Uma experiência musical única no Litoral Norte. “O maior menor festival de música do mundo”, como os organizadores do MECAFestival se intitulam, tornou-se a relíquia entre os grandes eventos que ocorrem na região. Não há nada parecido, pois não há governo que faça algo tão bem pensado e organizado. É claro que nem tudo são rosas. Mas no MECA, muitas foram as rosas neste último sábado (17) e podem servir como belos exemplos para eventos futuros.

CLIQUE AQUI para ver a galeria de fotos no Flickr.

Primeira rosa: o local: Hotel Fazenda Pontal, localizado no km 2,5 da ERS-407, trecho que liga o distrito de Morro Alto a Xangri-Lá. Apesar da falta de sinalização aos visitantes, o acesso foi fácil e não apresentou grandes problemas. Muitas pessoas reclamaram que, por o evento ser de bebida liberada (open bar de cerveja), o deslocamento seria difícil. Não foi o que aconteceu. A grande maioria dos jovens decidiu utilizar transporte coletivo: táxis, vans, micro-ônibus e ônibus. Os preços variaram de R$ 20 a 70. Alguns fizeram bate e volta Porto Alegre-Maquiné.



É claro que teve aquele que não quis depender disso e foi com seu próprio veículo. Para a surpresa destes: blitz policial. A Policia Rodoviária e a “Balada Segura” estavam na boca da saída, que aconteceu por volta de 2h da madrugada. No entanto, algo que não é novidade se repetiu: flanelinhas cobravam a partir de R$ 100 para dirigir pelos donos dos carros, a fim de passar pelas barreiras.

Segunda rosa: artistas de alta qualidade. O prodígio Erick Endres abriu os trabalhos no palco às 17h. O filho do guitarrista da banda gaúcha Comunidade Nin-JitSu, Fredi Endres, arrepiou quem não esperava por um rock puro e de altíssimo nível. O som de Erick, que está para completar 18 anos, é basicamente autoral, mas seu show no MECA ainda contou com um cover de John Frusciante, um de seus ídolos junto com Jimi Hendrix e Jack White.

Em razão do trio inglês Years&Years estar finalizando um álbum em Londres, duas bandas nacionais entraram no lugar. E não deixaram a desejar. O Mahmundi e o Boogarins agitaram o público exigente do MECA.

Boogarins

Terceira rosa: a chuva. Antes da banda gaúcha Wannabe Jalva começar a tocar, algo esperado: uma forte chuva despencou na Fazenda Pontal. Apesar das poças e do barro que se formaram em algumas partes, a precipitação não foi um inconveniente. Se o MECA já tinha como lema “celebrating love through music” (em inglês: celebrando amor através da música), cai bem a definição de “Woodstock” para o clima que se consagrou naquele momento. Alguns receberam a chuva com uma grande ovação, sem se preocupar com os calçados, e dançaram loucamente próximo dos clubinhos, ontem centenas se aglomeravam para fugir de se molhar.

Wannabe Jalva
Quarta rosa: os clubinhos. Os locais reservados aos parceiros do evento, como a Youcom, o Beco203 e o IHateFlash, foram tomados pelos visitantes durante os intervalos dos shows. Ali, DJs faziam festas paralelas, onde o pessoal descontraia ou tomando um sorvete, ou fazendo uma tatuagem, ou até cortando o cabelo. Uma coisa é certa: não faltou o que fazer dentro destes espaços.

Quinta rosa: gastronomia. Além de reunir todo o pessoal do skate, das artes plásticas e da música underground, o MECA proporcionou um diferencial destacado por muitos. A “praça” de alimentação consistiu em vários foodtrucks, moda que pegou neste verão no Litoral Norte. Pueblo, Jápesca e Destemperados foram algumas das comidas de rua do evento.

É óbvio que houve filas. Mas não chegou nem perto do que se vê em outros grandes festivais do país, como Lollapalooza. Nos veículos do Destemperados, foram consumidos cerca de mil “Pancho do Pepe”.

Sexta rosa: não faltou cerveja. O serviço de bebida liberada de cerveja (open bar) foi bom. Em certo momento, alguns bares chegaram a negar a bebida aos visitantes, mas por um motivo claro: não estava totalmente gelada. Assim, eles eram indicados a procurarem outros bares, onde havia cerveja em condições de consumo.

No quesito banheiros, talvez o MECA tenha deixado um pouco a desejar e muitas pessoas acabaram fazendo suas necessidades no mato. Exatamente. No escuro, entre as árvores.

Sétima, oitava e nona rosas: La Roux, AlunaGeorge e Citizens!. Foram os três shows internacionais e que atraíram a maior parte do público. Todos vieram de Londres e são quase desconhecidos pelo grande público. “Qual é a banda que você veio ver no MECA?”, perguntei para uma garota que estava longe do palco. “Não conheço nenhuma, vim mais pela vibe”. Essa foi uma das respostas que mais ouvi durante a festa. Mas antes que o leitor pense que isso seja ruim, a maioria dos jovens voltou para casa satisfeita.

Tom Burke (Citizens!) num dos melhores shows da noite
Pela segunda vez em Maquiné, os caras do Citizens! fizeram, talvez, um dos melhores shows da noite, apesar da maioria das músicas tocadas serem do disco inédito. O hit indie True Love foi a musica mais lembrada. Ao final, o vocalista Tom Burke se jogou na platéia, conquistando, assim, ainda mais a fidelidade do público.

Aluna Francis (AlunaGeorge) fez o público pular no MECA
Aluna Francis, a vocalista do dueto de música eletrônica AlunaGeorge, fez o público pular. You Know You Like It, de 2013, fez parte do set da dupla. Foi a primeira apresentação da dupla no Brasil.

Elly Jackson subiu ao palco próximo da 1h da madrugada e não desfez seu topete durante toda a apresentação. A vocalista do duo La Roux dançou e empolgou o público do início ao fim. Com uma iluminação contraluz, que desfavorecia o seu rosto, Jackson encantou os espectadores com uma dança elegante. Alguns desconfiaram que a cantora tivesse utilizado playback, o que não foi confirmado pela assessoria do MECA. No entanto, o hit Bulletproof foi cantado em coro pela platéia e encerrou o primeiro show de La Roux no Brasil.

La Roux encerrou seu show com Bulletproof

E o MECAFestival não terminou aqui. No domingo (18), os três headliners (La Roux, AlunaGeorge e Citizens!) ainda correram para a Estação Leopoldina, no bairro Santo Cristo no Rio de Janeiro (RJ), para mais apresentações. Na sexta (23), no Centro de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho (MG), ocorre uma edição especial do MECA, com AlunaGeorge e Citizens!. E no sábado (24), os três grupos de Londres fazem show no Campo de Marte, em São Paulo (SP).

*Reportagem publicada originalmente no dia 21 de janeiro de 2015 no jornal Momento.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Festival traz bandas britânicas inéditas no Brasil


Lorenço Oliveira 

LN - O MECAFestival trará quatro shows internacionais ao Litoral Norte em 2015, sendo que três deles são inéditos no Brasil: o duo de synthpop La Roux, a dupla que bombou na internet AlunaGeorge e a mais recente promessa da cena indie Year&Years. Além dessas novidades, a banda Citizens! retorna ao lineup, após atuação na edição de 2013.

Elly Jackson, do duo La Roux vencedor de um Grammy Award (Foto: Divulgação)

Diferente das outras edições, o evento terá apenas um dia. Na esteira dos grandes festivais europeus e americanos, a festa começará cedo, às 17h, e termina de madrugada, às 2h. O local, pela quinta vez seguida, será o Fazenda Pontal Resort, à beira da lagoa das Malvas (Km 2,5 da ERS-407, trecho entre Morro Alto e Capão da Canoa).


Aluna Francis e George Reid formam o AlunaGeorge (Foto: Divulgação)

Years&Years: Mikey Goldsworthy, Olly Alexander e Emre Turkmen (Foto: Divulgação)

Além do Litoral Norte, o festival terá edições no Rio de Janeiro (18/01) e em São Paulo (24/01). O MECA prevê ainda edições em Londres e Nova York. O evento é realizado por uma rede de grupos de comunicação e entretenimento formado pela Todos e a Slash/Slash. Outros parceiros são a Box 1824, Flag.Cx e o Grupo8ito.

Pela segunda vez no MECA, o quinteto Citizens! (Foto: Divulgação) 

O primeiro lote de ingressos (R$ 100,00) já está à venda pelo site BlueTicket (com taxa de conveniência de R$ 10,00). Há pontos de venda em Porto Alegre, nas lojas YOUCOM, dos shoppings Praia de Belas, Barra Shopping Sul, Bourbon Ipiranga e Wallig. O evento terá openbar (bebida liberada) de cerveja.

Serviço MECAFestival
Shows: La Roux, AlunaGeorge, Citizens! e Years&Years
Quando – sábado, 17 de janeiro de 2015 (17h-2h)
Onde – Fazenda Pontal Resort (km 2,5 da ERS-407)
Quanto – R$ 100,00 (1º lote), R$ 135,00 (2ºlote) e R$ 165,00 (3º lote)




*Matéria publicada na contracapa do jornal Momento no dia 29 de novembro de 2014.

terça-feira, 29 de maio de 2012

DYLAN: 70 anos procurando o caminho de casa




*Crônica radiofônica produzida na disciplina de Radiojornalismo 3 (2011/1), ministradas pelos professores Luciano Klöckner e Fabio Canatta.