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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Greves e protestos marcam Dia do Trabalho

Organizações sociais e sindicais em protesto bem humorado contra projeto que regulamenta o sistema de terceirização, no dia 15 de abril na Cinelândia, no Rio de Janeiro.
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Lorenço Oliveira

 “Não vos aconselho o trabalho, mas a luta. Não vos aconselho a paz, mas a vitória! Seja o vosso trabalho uma luta! Seja a vossa paz uma vitória”.

Entidades trabalhistas de todo o país saem às ruas hoje para comemorar o Dia do Trabalho. Os direitos dos trabalhadores, no entanto, passam por um momento delicado no Brasil. Greves e protestos devem marcar a data neste ano, motivados por atrasos de salários, modificações na previdência, alterações na concessão de seguros, além do fantasma da terceirização, que está de volta. O primeiro de maio de 2015 está à flor da pele, em luta constante.

A principal reivindicação das centrais sindicais é contra a terceirização do trabalho no país. O Projeto de Lei 4.330/04, aprovado pela Câmara dos Deputados na semana passada, propõe que empresas privadas possam terceirizar todas as atividades, e não apenas atividades-meio. A matéria segue para o Senado, cujo presidente já adiantou que não aceitará o texto de forma “ampla e irrestrita”.

No último dia 15 de abril, houve manifestações em várias capitais contra o projeto (vide foto). Para as centrais sindicais a proposta retira direitos trabalhistas históricos, já que permitiria a terceirização sem limites, em todas as funções de qualquer empresa e setor. Hoje, em São Paulo, haverá um ato conjunto de organizações e movimentos sociais, estudantil e sindical.  A Central Única dos Trabalhadores (CUT) deve levar milhares ao Vale do Anhangabaú, onde serão levantadas as históricas bandeiras em defesa dos direitos trabalhistas. Além disso, estão na pauta a defesa da Petrobrás e a reforma política.

“Em protesto pela intervenção militar você é tratado com educação. Em protesto pela educação você é tratado com intervenção militar”. Esta é uma das frases que mais circulou no Twitter nesta quarta-feira (29), dia em que uma forte repressão policial estarreceu a população e as redes sociais. Curitiba foi centro de uma batalha campal, nunca mais vista desde a ditadura militar. Cerca de 200 professores e servidores paranaenses ficaram feridos em confronto com a polícia, durante protesto contra a aprovação da lei que muda a previdência estadual.

Em repúdio ao massacre, o magistério de pelo menos mais 10 estados devem iniciar uma greve nacional nesta sexta-feira, segundo entidades filiadas a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Além do Paraná, os professores dos estados de São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco e Pará também estão em greve há mais de um mês.

A citação do início do texto foi retirada de Assim Falou Zaratustra, a obra máxima do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, publicada entre 1883 e 1885. O livro antecede os primeiros movimentos de luta dos trabalhadores, culminados no dia 1º de maio de 1886, em Chicago, nos Estados Unidos, e permanece atual até hoje. Feliz Dia do Trabalho! Feliz Dia da Luta!

*Artigo publicado no Momento do dia 1º de maio de 2015 


sábado, 21 de março de 2015

Rossano Teixeira diz que deixará o PP caso se confirme investigações da Lava Jato

Único vereador da sigla na Câmara de Osório está inconformado com as últimas notícias que envolvem o Partido Progressista no esquema de corrupção na Petrobras

Lorenço Oliveira

Rossano Teixeira ainda não sabe para qual partido poderá ir
Foto: Lorenço Oliveira/Momento



OSÓRIO – O vereador Rossano Teixeira (PP) declarou nesta sexta-feira (20) que sairá do partido, caso sejam confirmadas as suspeitas de que deputados da sigla tenham recebido propina da Petrobras. Em entrevista ao programa Comunidade Ativa, na rádio Momento FM (98,1), o vereador disse não saber para qual legenda poderá migrar.

– Se todas as nossas lideranças estão efetivamente comprometidas, acho que o partido tem que sumir. Não vejo mais por que...

– Aí o vereador Rossano está fora do PP?, interrompe o apresentador Carlos Augusto.

– Com certeza! Se isso se confirmar, eu tô fora. Tranquilamente.

No dia 6 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki derrubou o segredo de Justiça dos nomes investigados na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. A decisão autorizava a divulgação de uma relação com cerca de 50 políticos suspeitos de corrupção na Petrobras, a qual ficou conhecida como “lista do Janot”, em alusão ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

A lista contém políticos de vários partidos como PT, PMDB, PTB, PSDB e PP. Este último foi bastante afetado no Rio Grande do Sul, onde cinco deputados federais constaram na lista: Afonso Hamm, José Otávio Germano, Jerônimo Goergen, Luiz Carlos Heinze e Renato Molling. Além disso, o ex-deputado Vilson Covatti também foi apontado. Os seis parlamentares integram a bancada do PP gaúcho na legislatura 2011-2014.

Na sessão do dia 9 de março, Rossano Teixeira anunciou que estava bastante desapontado com seu partido e não descartava se desconectar. Ontem, na rádio, Teixeira disse que tem “amparo legal para poder abandonar a sigla sem perder o meu mandato, pois o mandato pertence ao partido, no caso do legislativo”.

Questionado sobre qual partido escolheria tentar se filiar, Teixeira não indicou nenhum por enquanto. “Enquanto o PT foi oposição, sempre me foi um partido simpático. Enxergava no PT uma alternativa de vigilância muito forte de fiscalização muito forte. E construí realmente uma simpatia. Teve uma época, embora na direita, porque essa coisa de muito extremo a gente quase que se encosta no outro lado”, brincou o vereador do PP, que apesar do prefeito Eduardo Abrahão (PDT) ser seu cunhado, não está certo de que irá para o partido dele.

O vereador, no entanto, ressaltou que depois que o Partido dos Trabalhadores chegou no poder, não havia mais como simpatizar. “E eu vejo nas mídias aí: ‘Olha, o cara da Globo rouba também! Tu viu? O fulano tá roubando, tem dinheiro no exterior’, ou tentando justificar o injustificável, daí perdeu. Perdeu todo o padrão de conversa”, concluiu Teixeira.

Para confirmar sua saída, o vereador do PP quer ver provas concretas de que o seu partido tenha realmente saído da linha. “Não tem como dar crédito a fala de uma só pessoa”, comentou Rossano sobre o doleiro Alberto Youssef, principal delator do esquema de corrupção na estatal. Recentemente, vídeos foram divulgados pela RBS TV, onde o operador confirma, nome por nome, que os deputados do PP teriam recebido propina.


 *Matéria publicada no jornal Momento do dia 21 de março de 2015