sábado, 16 de outubro de 2010

Sorella

Ontem à noite, escrevia em meu bloco de notas alguns motivos de não estar mais escrevendo. Coisa de uma semana sem digitar ou rabiscar no caderno. Procurei melhorar as expressões para descrever isto melhor. Tem a ver com o domínio das palavras; o que me passava nesses dias; os meus horários; e, com a minha saúde. Há dias em que não se sabe por que acordo tão tarde, mesmo sabendo, e repetindo para mim, que é necessário despertar na hora.

Anita me enxergou nos olhos diversas vezes e não tomei coragem de perguntá-la se me reconhece. Sara admira o físico dela quando exalto que não poderia ser mais bela, mas abre uma ressalva: diz que o rosto incomoda.

Diferente de eu, Sara é super convencida de que não há tanta beleza que eleve uma pessoa a outro nível. O conhecimento é simplesmente o mais importante, e Anita passa um ar de mulher madura que assusta os demais. “Ela tem uma estrutura óssea boa”, comenta. O nosso relacionamento tornou-se tão sincero, que mesmo que haja esses confrontos de opiniões, não se apaga a nossa parceria. Por vezes, há um consentimento e uma ligação telepática que se estabelece com poucas palavras. Chega a ser constrangedor para as pessoas que nos conhecem, mas não conhecem a nossa trajetória.

Luís, por exemplo, considerava eu e Sara como um dos melhores amigos dele. Eu tinha dúvidas se ele sabia do começo. Já Antonio, que acabou saindo de nosso círculo posteriormente, desconfiava das estranhas atitudes que tínhamos em conjunto, ou das oscilações de humor parecidas. Um dia, ele perguntou-me o que realmente existia entre nós. Então estiquei o pergaminho da minha história com Sara e destaquei as manchetes que o faria entender a situação. Surpreendeu-se, assim como Simão, um colega dos mais fiéis à faculdade, que perguntou-me uma vez o que Sara era de mim. Depois de pensar alguns segundos, lhe respondi:

– Ela é minha irmã.

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