Num dia desses do final do ano, em que todas as coisas acontecem na mesma hora sem ordem ou lógica de chegada, fiquei sem café. Havia me esquecido de que os filtros de papéis tinham se esgotado. Eu tinha vários em minha bolsa. Uma caixa cheia, recém aberta com uns vinte e poucos filtros. Lembro-me bem, que havia retirado da bolsa e colocado na prateleira, acima do microondas para que meu irmão não desse falta deles no dia seguinte. Foi fatal. Não tinha saída. Eu já estáva na parada quando me dei de conta, e ainda tive que sofrer aquela espera pelo ônibus que nunca sei o horário certo. Fiquei naquela expectativa de esperar ou voltar para buscar um filtro. Eu sabia que podia pedir emprestado para a servidora do lado, e que o Tranversal 7 iria passar logo, então não podia voltar.
A questão é que o maldito ônibus, um belíssimo transporte coletivo da frota nova que o prefeito inaugurou no começo do ano, estava atrasado, e, para certificar-me de que eu deveria ter acordado mais atrasado, lotado. Pessoas se empilhavam dentro daquele paralelepipedo ambulante, que era bem sabido, havia atrasado em várias outras paradas. Eu não me chateava com aquela situação, passara por aquilo diversas vezes, mas quando se juntava esse desconforto com o conformismo de que não haviam filtros para passar o café naquela manhã, tudo mudava. Era algo que eu nunca tinha passado: uma manhã inteira sem cafeína. Ilustrava-se aí, o perfil de um verdadeiro viciado.
Em primeiro momento, tentei reagir normalmente, com as minhas condições físicas naturais de um recém acordado. Até às nove horas da manha, consegui trabalhar sem a necessidade do café. Sentia algumas perturbações em meu organismo: meu estomago dilatava e me configurava murros internos; sentia caimbras nos ante-braços; e, arrepios me passavam como uma navalha em meus labios tomados por uma secura serrada. Quando bateu um quarto de hora para às dez, senti um cheiro de café passado surgindo do lado leste do departamento. Era uma tortura.
Não havia dito a ninguém que me esquecera dos filtros em casa, e ninguém teve a piedade de perguntar porque eu não estava tomando café naquela manhã. Afinal, era uma ação visivel a todos, que sempre quando eu chegava no setor, preparava meia jarra de café preto passado. No entanto, me senti um ignorante por não ter pedido um filtro emprestado. Seria essa a ação de meu chefe, mas ele estava de férias desde a semana passada, e tinha deixado claro que eu poderia passar café quanto quisesse, era só eu comprar mais filtros. Eu tinha também a alternativa de pedir um cafezinho para servidora que também fazia café todos os dias para as professoras. Pelo menos um já bastaria para eu não me sentir tão morto. Mesmo assim, não tive coragem de pedir. Morri.
A questão é que o maldito ônibus, um belíssimo transporte coletivo da frota nova que o prefeito inaugurou no começo do ano, estava atrasado, e, para certificar-me de que eu deveria ter acordado mais atrasado, lotado. Pessoas se empilhavam dentro daquele paralelepipedo ambulante, que era bem sabido, havia atrasado em várias outras paradas. Eu não me chateava com aquela situação, passara por aquilo diversas vezes, mas quando se juntava esse desconforto com o conformismo de que não haviam filtros para passar o café naquela manhã, tudo mudava. Era algo que eu nunca tinha passado: uma manhã inteira sem cafeína. Ilustrava-se aí, o perfil de um verdadeiro viciado.
Em primeiro momento, tentei reagir normalmente, com as minhas condições físicas naturais de um recém acordado. Até às nove horas da manha, consegui trabalhar sem a necessidade do café. Sentia algumas perturbações em meu organismo: meu estomago dilatava e me configurava murros internos; sentia caimbras nos ante-braços; e, arrepios me passavam como uma navalha em meus labios tomados por uma secura serrada. Quando bateu um quarto de hora para às dez, senti um cheiro de café passado surgindo do lado leste do departamento. Era uma tortura.
Não havia dito a ninguém que me esquecera dos filtros em casa, e ninguém teve a piedade de perguntar porque eu não estava tomando café naquela manhã. Afinal, era uma ação visivel a todos, que sempre quando eu chegava no setor, preparava meia jarra de café preto passado. No entanto, me senti um ignorante por não ter pedido um filtro emprestado. Seria essa a ação de meu chefe, mas ele estava de férias desde a semana passada, e tinha deixado claro que eu poderia passar café quanto quisesse, era só eu comprar mais filtros. Eu tinha também a alternativa de pedir um cafezinho para servidora que também fazia café todos os dias para as professoras. Pelo menos um já bastaria para eu não me sentir tão morto. Mesmo assim, não tive coragem de pedir. Morri.
1 comentários:
ai Lorenço, compreendo perfeitamente...
pois eu acabei com o pó de café ontem, e não tem outro pacote em casa... acordei e está uma chuva torrencial! e eu vou ter que esperar parar de chover pra comprar... é uma trajédia! Que desespero.
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