segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Deixo a SE

O verão começa dia quatro de janeiro. Não antes, pelo menos para mim. Normalmente essa data é incrivelmente celebrada com um descanso e um sono prolongado. No meu caso, esse ano, será diferente. Não haverá férias. Para falar a verdade, nesse ano tive apenas um mês de férias, que por ironia do destino, foi em fevereiro, o menor deles. Em julho comecei a trabalhar na Secretaria de Educação e não tive aqueles tranqüilos 15 dias de férias no meio do ano. Veio a Gripe A, o recesso escolar foi prolongado, e por certo instante tive um pouco de alivio, mas estava acabando o intensivo de língua italiana. O primeiro nível de italiano, em uma corrida de quase vinte dias com três horas e meia por dia. Foi cansativo. No entanto, foi ótimo. Apesar de nem respirar, fazendo um circuito pesado de trabalho e curso intensivo, quando vieram as aulas novamente, não estava realmente cansado, e havia gostado daquela rotina entupida de atividades e ausente de ócios criativos. Mesmo assim, consegui estabelecer uma concordância adequada com a minha necessidade de escrever.
O meu chefe, me cobrava um pequeno esforço todos os dias, e não era muito mais que fazer o café e levar alguns processos para outro setor. O café foi meu grande companheiro nos momentos de pouca produtividade burocrática. Além de ele me acordar todos os dias, me fez um dependente, e por um ponto de vista bom, já que não deixava de cumprir o que me era solicitado. Comecei a gastar essa energia cafeinada com os dedos no teclado. Era uma situação que eu já queria viver a muito tempo. Digitar sem parar, tudo o que me vem na cabeça. Sem censuras e sem alegorias insignificantes. Escrevia sobre o que assistia.
Por incrível que pareça, o que assiste durante alguns meses dentro daquele órgão público foi um show emocionante e hilário. Era cômico e angustiante. As pessoas sempre tiveram coisas demais para se preocupar, deixando de lado o seu trabalho. Um jogo de empurra desgraçado. Uma hipocrisia barata, mas que não se comprava em qualquer boteco. Uma nação de desocupados que aparentam estar ocupados, que se sentem culpados, mas que não fazem nada para culpar os verdadeiros ocupados culpados de tudo isso.

Apesar de disso, ganhei uma dor infernal na coluna por causa de uma cadeira estúpida e inadequada para o meu tamanho.

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