Não sei bem o que faço aqui dentro desta secretaria. Não saberia dizer para alguém importante o que isso significa. Alguns dizem que isso é uma experiência que eu consigo em períodos alternados. Não sei o que isso significa. Não sei qual é a minha verdadeira responsabilidade para o aprendizado. Sei que faço e exercito minhas atitudes com uma consciência desconhecida por mim mesmo. Como jornalista encaro minhas atitudes como uma desenfreada angústia por tornar-me célebre e genial, que ultrapasse a barreira do amador, que saia do tramite legal do procedimento de intelectualização. Há fome por conhecimento e mérito. Mérito de simplesmente domar um certo conhecimento. Tornar-se um "intelectocrata" - não sei se essa palavra existe de fato e talvez seja apenas sinônimo de "intelectual" - que quer elevar-se ao posto de seus ídolos, tomando lugar desses não apenas como o aprendiz que supera seu mestre, não apenas um ídolo para seus filhos, sobrinhos, e conhecidos, mas para todos que eram fãs do antigos ídolos.
O visível nesta situação é que poderiam me chamar de aristocrata arrogante. O engraçado nesta situação é que eu deveria estar denunciando os aristocratas arrogantes, os liberais nojentos e os burocratas sádicos. Homens do poder que têm seus nomes estampados nos processos, como responsáveis de toda aquela ação processual, que em sua Casa, e mesmo assim, se recusam a assinar estes contratos, delegando sempre algum assessor ou um adjunto.
É perigoso escrever quando se está com a sensação de que tudo está dando errado. Por mais que a sensação de conformidade de ações corretas seja gratificante, não há realmente satisfação nisso. É nesses momentos que queria poder escrever a respeito dos outros escritores. Quando muito, quem tem o que dizer. Poetas também me chamam atenção. Ensaístas me fazem correr a linha em poucos segundos, principalmente aqueles que escrever sobre grandes nomes. Não me importo com a nacionalidade do indivíduo. Pouco que me diz sobre os homens que se ariscam na escrita. Tenho pena daqueles que tentam e não persistem porque creiam que, se não conseguiram de primeira, é por que têm toda certeza de que não é um gênio. Logo, tenho pena de mim.
Ensaio bastante antes de preparar qualquer frase antes de verbaliza-la. Às vezes, tento escolher algo que não tenha a ver comigo, que não tenha passado pelo meu pensamento, mas que tenha a ver com algo que eu queria ser. Regularmente, faço o que não passa pelo pensamento. Faço o que acho que deveria ser certo, e faço o que demostra tornar-se certo com os outros. As mulheres que vêm falar a respeito do tempo, da cópia nas duas faces, da semelhança de mim com um ator de cinema, eu tento sempre mostrar-me interessado a aprender e a revisar esses assuntos em casa, ou, para render-me um outro papo em outra ocasião. Isso me escapa pelas dias que esqueço e que na verdade nada me faz diferente. Algo que realmente me toca faz lembrar-me outra pessoa e outro lugar. Quando chego ao papel isso tudo se confunde entre falta de vocabulário e leituras essenciais. Gastaria meu tempo com o nada, que me faz recordar o fracasso do dia anterior ou da Informação N° 2135 que estava com a numeração trocada com a de n° 2132, antes que eu mesmo lembre-me que deveria ter pego o café novamente antes que ele envelhecesse na cafeteira, e ficasse incapaz de beber? às vezes, penso que tudo isso renderia-me uma brilhante biografia e um resultante permanente em meu acervo de experiências vividas, mas somente uma coisa se salva entre os silêncios dos arquivos metálicos: uma criatura imponente, bela e carinhosa que me fez acreditar que aquele lugar comporta almas merecedoras de um lugar bonito e tranquilo. Essa moça me fez pensar que, mesmo sem a composição de um diálogo corriqueiro, era capaz de pensar em toda uma cirscunstância ao redor dela. Uma aura sem explicações e sem vestígios de perdas, de desalentos e de morais políticas descavocadas do século passado.
O que me bastava era escrever, escrever, e sentir que correr o risco, não só na parede com dedo, era essencial para continuar vivendo. Seria difícil, mas seria inútil e estúpido querer que isso aparecesse da forma contrária. Não me bastaria os anos e as horas perdidas na frente de um ecrã sujo de poeira e gordura, se não fosse para toda essa beleza ter vindo de um árduo trabalho de esculpir a arte que crio com grandes pretensões. Queria eu que não fosse com e essas magnitutes pretensões hipócritas, mas não consigo escrever pensando que tudo isso é um mero acaso e uma sorte de escritor mirim, que usa da cafeína para escrever fervorosamente e impiedosamente, sem parar, até achar algo genial. Admito que a existência de meu texto se dê por base de uma desenfreada convulsão de cafeína exagerada. Não é maléfico, mas é injusto por certo ponto. Até achar-me no caminho dos teclado, e das palavras certas, continuarei a datilografar até que não precise mais de aquecimentos e temáticas superficiais para começar a criar.
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